Cidades Mortas

No final do ano passado, fiz uma viagem para a cidade de Bananal, aonde visitei prédios e fazendas da época dos barões do café. Gostei de visitar a cidade, mas é um local melancólico, é impossível não se lembrar de Monteiro Lobato, este mesmo, e as Cidades Mortas.

“Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrépito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas dantes”. Nos soberbos casarões, vivem plantas, umedecidas pelas goteiras; os móveis empoeirados ainda guardam o esplendor da época com seus candelabros azinhavrados, cujas dezoito velas não se acendem e tudo cheira a bolor e velhice: “São os palácios mortos da cidade morta”.Colonial House

Largado numa praça, encontra-se o antigo teatro, que nos áureos tempos recebeu grandes artistas. Os ricos mudaram-se para o Rio, São Paulo e Europa e os que ficaram amargam uma vida sem horizonte. A única ligação com o mundo se resume no “cordão umbilical do correio”.

Colonial HouseTudo contribui para o aspecto de abandono, pois as cidades não têm som que indique vida; só os velhos sons coloniais ainda restam – “o sino, o chilreio das andorinhas na torre da igreja, o rechino dos carros de boi, o cincerro das tropas raras, o taralhar das baitacas que em bando rumoroso cruzam e recruzam o céu”. Tal desolação é maior na área urbana, mas o campo também dá sinais de pouca vitalidade.

Tirei várias outras fotos, aliás eu tiro foto de tudo, qualquer coisinha, adoro, mais aqui.

Deixe seu comentário